Economia
Avaliação do risco soberano “rating” de Angola é positiva
Luanda – No âmbito da abertura progressiva da economia angolana aos mercados internacionais, o executivo angolano mandatou as três maiores agências mundiais de avaliação de risco (‘rating’), nomeadamente a Ficht, a Moody’s e a Standard & Poor’s (S&P), para efectuarem a avaliação de risco soberano de Angola, soube a Angop de fonte segura do Ministério de Coordenação Económica.
No caso de Angola, este primeiro exercício de classificação de risco soberano é um marco importante no aprofundamento da integração da economia do país nos mercados internacionais, pois melhora o seu estatuto no mercado financeiro global e na economia mundial.
Como se sabe, as avaliações de risco soberano reflectem a opinião sobre a capacidade de um país honrar as suas dívidas e a publicação dos relatórios das agências de “rating” dá, com efeito, aos investidores internacionais uma avaliação independente a respeito do potencial económico de Angola e, deste modo, facilita o acesso aos empréstimos internacionais por parte do Governo, das empresas e das instituições financeiras nacionais e a atracção de investimentos para o país.
Em resultado do seu trabalho de avaliação, a agência Fitch atribuiu a Angola a classificação B+ e a agência Moody’s atribuiu B1 (que é equivalente a B+), ambas com perspectiva positiva, e a agência S&P atribuiu a classificação B+, com perspectiva estável.
Em termos comparativos, a agência S&P confere tanto a Angola como à Nigéria o mesmo patamar B+, enquanto o Ghana, Cabo Verde, Uganda, Moçambique e Quénia estão classificados, ou no mesmo patamar, ou num patamar inferior.
Contudo, diferentemente desses países, a perspectiva positiva para Angola, tanto da Moody’s como da Fitch, constitui a indicação da existência de um potencial de elevação de Angola para uma categoria BB (a categoria imediatamente superior a B+), num prazo relativamente curto, caso as perspectivas de progresso económico e institucional das agências se materializem.
Além disso, tratando-se da sua primeira avaliação, a classificação de risco soberano de Angola é igual às classificações iniciais obtidas por países emergentes como a Rússia e o Brasil, países que devido às suas realizações económicas e institucionais viram as suas classificações de risco melhorarem rapidamente.
De facto, a primeira classificação atribuída pela agência S&P ao Brasil, em Julho de 2002, foi um B+ com perspectiva estável (igual à atribuída agora a Angola, por esta agência). As classificações posteriores foram melhorando e, em Abril de 2008, o “rating” deste país era de BBB – com perspectiva estável.
O primeiro “rating” da Rússia, por seu lado, obtido em Dezembro de 2001, pela S&P foi um B+ com perspectiva positiva (o mesmo atribuído a Angola pelas agências Moody e Fitch). Posteriores classificações fizeram evoluir este ‘rating’ para BBB com perspectiva estável, em Dezembro de 2008.
De acordo com os relatórios das agências, a classificação de Angola reflecte uma visão equilibrada da sua dotação de recursos naturais e das boas perspectivas de estabilidade macroeconómica, de maior crescimento económico e desenvolvimento, bem como a necessidade de reforço da sua capacidade institucional do Governo, que aliás já denota um aumento crescente neste domínio.
As agências apreciaram favoravelmente os recentes esforços do Executivo para a reconstrução das infra-estruturas do país, que vêm aumentando a capacidade produtiva dos sectores não petrolíferos e contribuindo para superar os constrangimentos relativos à produção interna.
De igual modo elas avaliaram positivamente os esforços de longo prazo para a consolidação da estabilidade política e as mudanças constitucionais e institucionais recentes.
As agências também apreciaram as medidas em curso no âmbito das políticas fiscal e monetária e para diminuir a vulnerabilidade da economia à volatilidade dos preços do petróleo.
A esse respeito, consideram o programa acordado entre Angola e o FMI, em fins de 2009, como um factor positivo, que mostra a determinação do Executivo de seguir adiante com as políticas visando a normalização dos mercados, a manutenção da
estabilidade macroeconómica e a diversificação económica.
Finalmente, as agências consideram que a forte retoma do crescimento económico, em 2010 e nos anos futuros, contribuirá para o êxito das medidas do Executivo e para que se alcance, níveis maiores de diversificação económica.
Fonte: Angola Press